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Quando a Amizade Vira Ferida: Como Lidar com a Dor da Traição

  • luanacastroterapeu
  • 7 de abr. de 2025
  • 4 min de leitura



A amizade, quando verdadeira, é um dos vínculos mais poderosos e curativos que podemos experimentar. É na amiga que muitas vezes encontramos abrigo, consolo e força. Ela é o colo nos dias pesados, o riso nos dias leves, a extensão da nossa alma em forma de presença.

Mas quando essa mesma amizade se rompe por uma traição, a dor é avassaladora. Porque a amiga não é só alguém com quem você divide histórias: ela é alguém em quem você apostou confiança, dividiu segredos, e por vezes, fragmentos da sua própria identidade.

A traição vinda de uma amiga é uma ferida silenciosa. Não deixa hematomas visíveis, mas marca profundamente a autoestima, a percepção de valor próprio e a forma como passamos a nos relacionar com o mundo.

Diferente de términos amorosos, que muitas vezes são socialmente reconhecidos como dolorosos, a traição entre amigas é, muitas vezes, subestimada. Mas para quem sente, ela pesa tanto quanto — e às vezes, mais.

Afinal, foi ela quem te ouviu chorar por um amor perdido. Foi ela quem vibrou com tua conquista. Foi ela quem jurou estar sempre ali. E de repente, tudo isso se quebra com uma palavra maldita, um segredo exposto, uma escolha egoísta, uma ausência sentida ou uma inveja disfarçada.

A quebra da confiança nesse tipo de relação nos abala em diversos níveis:

  • Emocionalmente, nos sentimos traídas, solitárias, incompreendidas.

  • Mentalmente, passamos a duvidar da nossa capacidade de perceber intenções.

  • Energeticamente, nosso campo enfraquece, abrindo espaço para medo, insegurança e culpa.

E o que dói mais nem sempre é o que foi feito — mas quem fez.

Você confiou. Você entregou. Você acreditou.

E a sua entrega, que deveria ser um gesto de amor, foi mal interpretada ou usada como fraqueza.

Mas aqui está uma verdade terapêutica que precisa ser ouvida: a traição diz mais sobre as sombras do outro do que sobre o seu valor.

Pessoas que traem amizades verdadeiras costumam estar desconectadas de si mesmas. Muitas vivem em um estado constante de comparação, insegurança e escassez emocional. Elas não traem por maldade pura — traem porque não sabem amar com plenitude.
E é por isso que você precisa parar de se perguntar:"O que eu fiz de errado?"E começar a se perguntar:"O que essa experiência está tentando me mostrar?"
Toda ferida tem algo a dizer.E se essa ferida está aberta, ela está gritando por cura, não por culpa. O processo de cura envolve alguns passos fundamentais. Vamos a eles:
Valide sua dor,Não minimize o que você está sentindo. Frases como "era só uma amiga" ou "não foi nada demais" apenas prolongam a dor. Permita-se sentir. Chorar. Lamentar. Esse é o primeiro passo para ressignificar.
Identifique os gatilhos Essa traição despertou memórias antigas? Abandonos passados? Sentimentos não resolvidos de rejeição? Muitas vezes, o impacto atual está ligado a experiências anteriores não curadas.
Se reconecte com você
Quando somos traídas, tendemos a nos desconectar de quem somos. Começamos a nos questionar, nos sabotar, nos isolar. Volte para si. Relembre quem você era antes dessa amizade. Reforce suas qualidades. Cuide de si com amor.
Entenda a função emocional da amizade
Que papel essa amiga exercia em sua vida? Ela preenchia carência, medo de solidão, necessidade de aprovação? Entender isso te ajuda a não buscar, inconscientemente, outra relação com o mesmo padrão.
Coloque limites, mesmo que o vínculo continue
Perdoar não é esquecer — é não permitir que a mágoa te defina. Mas o perdão não exige reconciliação. Você pode liberar a dor e ainda assim escolher não manter a mesma proximidade.
Fortaleça outras conexões saudáveis
Não generalize. Nem todas as pessoas vão te machucar. Há amizades maduras, verdadeiras, conscientes. Valorize os laços que te elevam, e não os que te consomem.
Busque apoio terapêutico se necessário
Algumas feridas emocionais exigem um olhar externo, acolhedor e técnico. Um processo terapêutico pode ajudar você a compreender padrões, curar dores profundas e reconstruir sua confiança de forma sólida.
A traição dói, sim. Mas ela também pode ser o portal para o seu renascimento.
Você não é fraca por ter confiado — você é forte por ter se entregado de forma inteira. E mesmo ferida, é possível florescer novamente.
Você não precisa carregar essa dor sozinha. E mais do que isso: você não precisa permitir que ela defina quem você será daqui pra frente.
A vida sempre oferece novas chances de conexão. Mas tudo começa por você.
Quando você se trata com respeito, você se afasta naturalmente de quem não sabe te valorizar.Quando você se vê com carinho, atrai relações mais conscientes.Quando você se perdoa, se liberta.
Porque no fim, não se trata apenas da amiga que te feriu.Se trata de você — e do tipo de mulher que você escolhe se tornar mesmo depois de ter sido ferida.
Que essa dor não te cale. Que ela te desperte.
E se você sente que essa história fala diretamente com a sua, talvez seja hora de olhar com mais profundidade para a mulher que você está se tornando — e oferecer a ela o apoio que ela sempre buscou no outro.
Você merece ser sua melhor amiga. E a cura começa dentro.
 
 
 

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© 2024 - Luana Castro Terapeuta

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